Sinal de Frank: a dobra na orelha que pode estar ligada a doenças do coração — e quando esse sinal merece atenção médica

Entenda o que é o sinal de Frank e quando ele pode indicar risco cardiovascular.
Sabia que uma simples marca na orelha pode dizer algo sobre a saúde do coração?
A presença de uma linha diagonal no lóbulo, conhecida como sinal de Frank, tem chamado a atenção por sua possível associação com doenças cardiovasculares.
Embora não seja um diagnóstico, especialistas explicam que essa dobra pode funcionar como um alerta para avaliar melhor os fatores de risco e o estado das artérias.
O tema ganhou visibilidade recentemente e despertou a curiosidade de muitas pessoas. Afinal, quem percebe essa marca deve se preocupar?
A resposta dos médicos é clara: o sinal, por si só, não confirma nenhum problema, mas pode indicar que é hora de investigar a saúde cardiovascular com mais atenção.
Um indicativo que precisa ser interpretado com cuidado
O cardiologista João Vicente da Silveira, da Unidade de Hipertensão do InCor da Faculdade de Medicina da USP, destaca que o maior risco é tirar conclusões precipitadas ao observar apenas esse sinal.
“O principal risco é interpretar o sinal de forma isolada. Ele é só um indicador. Tem muita gente que tem doença coronariana e não tem esse sinal.”
Estudos mostram também o contrário: há pessoas com a prega no lóbulo que não apresentam alterações nas artérias do coração. Por isso, a marca deve ser vista como um possível ponto de atenção clínica, e não como uma sentença.
O dermatologista Hélio Amante Miot, professor da Faculdade de Medicina da Unesp, reforça essa ideia:
“É um sinal, um alerta, uma pista. Uma luz vermelha que acendeu e apagou. Não necessariamente ele está com as artérias coronárias obstruídas e vai ter um infarto, mas é um alerta para o médico ficar atento e fazer exames mais específicos. E o contexto global precisa ser avaliado, como a história familiar e os fatores de risco.”
Fatores que realmente pesam no risco cardiovascular
Independentemente da presença do sinal de Frank, os principais fatores associados a doenças do coração continuam sendo:
- Hipertensão arterial
- Diabetes ou glicemia elevada
- Colesterol alto
- Tabagismo
- Obesidade
- Consumo frequente de álcool
- Sedentarismo
- Apneia do sono
- Histórico familiar de doença cardiovascular
Segundo Miot:
“Qualquer indivíduo que tenha qualquer um desses elementos ou que tenha a prega diagonal deve ser investigado do ponto de vista cardiovascular.”
O cardiologista Marcio Miname, diretor científico do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ressalta que a relação entre o sinal e a doença coronariana existe, mas não de forma independente.
“Os marcadores independentes continuam sendo colesterol alto, hipertensão, diabetes e tabagismo. O que importa para a gente não é o sinal de Frank, mas sim os fatores de risco clássicos.”
Ele também lembra que a ausência da dobra não significa que o coração esteja saudável.
O que é o sinal de Frank?
Descrito em 1973 pelo médico americano Sanders Frank, o sinal passou a ser associado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos e à aterosclerose — condição em que placas de gordura se acumulam nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC.
Uma das explicações possíveis é que a dobra esteja relacionada a alterações nas fibras de colágeno, responsáveis pela elasticidade dos vasos. Com a perda dessa elasticidade, as artérias se tornam mais rígidas e mais suscetíveis a obstruções.
A prega costuma surgir com o passar dos anos e geralmente aparece nos dois lóbulos. Quando identificada em pessoas mais jovens, a preocupação tende a ser maior. Como explica Silveira:
“É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando.”
Miot acrescenta que as extremidades do corpo sofrem mais os efeitos das alterações vasculares:
“A prega globular é um sinal de que a circulação pode não estar 100%, de que a orelha pode estar sendo mal irrigada.”
O que fazer ao perceber a dobra?
A orientação é procurar avaliação médica para verificar pressão arterial e realizar exames conforme o perfil de cada pessoa. Entre os mais solicitados estão:
- Exames de colesterol e glicemia
- Eletrocardiograma
- Ecocardiograma
- Teste ergométrico
- Angiotomografia das coronárias (em casos específicos)
Se houver suspeita de obstruções importantes, podem ser necessários exames mais detalhados, como o cateterismo.
O tratamento depende dos resultados e pode envolver mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos e, quando indicado, procedimentos para desobstruir as artérias.
Em resumo
A dobra no lóbulo da orelha não prevê um infarto nem confirma doença cardíaca. No entanto, pode servir como um sinal de alerta para avaliar melhor a saúde do coração.
Mais importante do que a marca em si é controlar os fatores de risco tradicionais e manter o acompanhamento médico regular.