sexta-feira, 27 maio 2022
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Potássio reduz risco de infarto

Ingestão de potássio reduz risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral

O consumo de potássio, combinado à redução de sal, provoca melhores efeitos à saúde cardiovascular. A conclusão é resultado de um estudo publicado no “Archives of Internal Medicine”, realizado com 2.974 pacientes pré-hipertensos.

Os pesquisadores analisaram a excreção de sódio e de potássio na urina dos pacientes para estabelecer uma relação entre a ingestão desses minerais e a ocorrência de eventos cardiovasculares relacionados à pressão alta, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Os melhores resultados foram encontrados ao combinar baixa ingestão de sódio com alto consumo de potássio.

Nesse caso, as chances de o paciente desenvolver algum problema cardiovascular foram até 50% menor. Ao avaliar somente a redução de sódio no organismo (sem aliar a um maior consumo de potássio), os pesquisadores de cinco instituições dos EUA constataram que os participantes com baixa ingestão do mineral tiveram 20% menos risco de sofrer AVC ou infarto.

A importância do potássio

O potássio ajuda a promover a dilatação dos vasos e melhora o fluxo sanguíneo. Além disso, melhora a sensibilidade à insulina, o que pode ajudar pacientes que desenvolveram resistência ao hormônio. As principais fontes de potássio são os alimentos ricos no mineral, como melão e tomate, e os sais que substituem o sal de cozinha convencional, conhecidos no mercado como light.

Há muito tempo se sabe, por meio de extensa literatura médica, que o excesso de sódio retém líquido no organismo, ajuda a formar edemas e enrijece as artérias, facilitando o aparecimento e/ou o agravamento de hipertensão arterial sistêmica, e que hipertensão leve pode ser controlada só com restrição dietética de sal, diminuindo o aparecimento de complicações da doença hipertensiva, como insuficiência cardíaca e renal, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

O sódio é elemento essencial ao metabolismo e imprescindível à atividade elétrica celular, além de outras funções. Entretanto, por vício cultural alimentar, ingerimos, sob forma de sal de cozinha, o dobro ou o triplo (8 a 12 gramas por dia) de sódio necessário, que uma dieta equilibrada já fornece a partir do sódio dos alimentos (2 a 4 gramas por dia). A American Heart Association recomenda 2300 miligramas de sódio na dieta diária. No entanto, para as pessoas que já sofrem de pressão arterial alta, de meia idade e idosos e negros recomenda apenas 1500 miligramas por dia. Como corrigir a ingestão excessiva? Reeducando o hábito alimentar ao desprezar o saleiro ou a pipoca salgada. Como visto, só isso é capaz de reduzir em 20% o surgimento de graves consequências cardiovasculares.

Comer uma dieta baixa em sódio não significa que seu alimento tem de ser insípido e que você deve cortar todo o sal na dieta. Existem centenas de maneiras de temperar saudavelmente a alimentação, com vinho, limão, pimenta, frutas e substitutivos do sal de cozinha (cloreto de sódio), abundantes no mercado. A relativa novidade é a potenciação negativa do mesmo risco quando se combina maior ingestão de potássio com redução de sódio.

Sódio e potássio trabalham em união – e com outros minerais –, equilibrando a pressão sanguínea e controlando a contração das fibras musculares, inclusive as do coração, além de manter sob controle o volume de líquidos no organismo. Por seu turno, o potássio é um elemento insubstituível na fisiologia do coração, na geração de energia para a atividade celular, nas contrações musculares e na transmissão de estímulos nervosos.

O relativo aumento da ingestão de potássio induz à troca, pelos rins, de sódio excedente por potássio, com vantagens. Ao contrário do sódio, em proporções adequadas relaxa a musculatura vascular, dilata os vasos, aumenta o fluxo sanguíneo e reduz a pressão arterial, diminuindo o trabalho cardíaco e aumentando a vida útil do coração. Existe muito mais potássio que sódio dentro das células. Por isso, níveis normais de potássio e sódio no sangue circulante são respectivamente de 5,5 e 140 mEq/L.

Assim é que o potássio pode estar normal no sangue e baixo nas células, dificilmente ocorrendo essa desproporção com o sódio. Por isso também a maior ingestão de alimentos ricos em potássio pode fornecer o plus que as células estão necessitando, o que justifica abundante ingestão desse mineral, normalmente presente em banana, tomate, couve, folhas verdes, melão, espinafre, batata e legumes em geral. Lembre-se, entretanto, que equilibrar a dieta não significa hipertrofiá-la.

Autor do texto: Carlos A. M. Gottschall, cardiologista

Alimentos ricos em potássio: damasco, uva-passa, tâmara, amêndoa, ameixa seca, figo seco, castanha-do-pará, melão, banana, abacate, cereja, amora, coco, mamão, figo, uva, feijão, ervilha, lentilha, espinafre, batata, salsa, mandioca, beterraba, cenoura, couve, aipo, couve-flor, milho, brócolis, tomate, nabo, alface, leite, farinha de soja.

Fonte: Aloe Vita (texto adaptado)

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