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Pimenta: picante e saudável

Excesso de pimenta vermelha pode levar a problemas de saúde, mas consumo moderado faz bem
Renato Weil/EM

Nos últimos anos, uma série de estigmas sobre alguns alimentos, considerados prejudiciais à saúde, tem sido colocada em questão por médicos e especialistas. Foi provado, por exemplo, que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, uma taça de vinho por dia faz bem ao coração, evitando problemas cardíacos. O chocolate, muito discutido por conter substâncias que viciam, também passou a ser recomendado, em quantidade controlada, já que sua ingestão produz endorfina no organismo de quem o consome, o que causa uma sensação saudável de prazer e bem-estar.




Recentes estudos têm apontado também os benefícios da pimenta, alimento culturalmente considerado “veneno”, principalmente para quem tem hemorróidas, gastrite ou hipertensão. De acordo com a nutricionista Daniella Fialho, o excesso no consumo de pimenta vermelha pode levar a problemas de saúde, mas seu consumo moderado até faz bem.


Segundo a nutricionista, a capsaicina é a substância contida na pimenta vermelha, que causa a sensação de ardor e é justamente essa substância a responsável por seus três efeitos farmacológicos: antiinflamatório, antioxidante e capacidade de liberar endorfina. No caso da pimenta-do-reino, essa substância é a piperina, que tem efeitos semelhantes. Daniella explica que, ao ingerirmos alimentos apimentados, a capsaicina ativa receptores sensíveis na língua.


Diante da sensação de que a boca está “pegando fogo”, o cérebro recebe o estímulo de apagá-lo, liberando a endorfina, que causa uma sensação de bem-estar e faz da pimenta um alimento aconselhável para quem tem enxaqueca ou dores de cabeça crônicas. “A pimenta engana o cérebro, simulando um fogo que não existe. Com isso, o organismo produz uma substância benéfica à saúde, inclusive nos casos de depressão”, afirma a especialista. A salivação, transpiração e o rosto vermelho, provocados pela vasodilatação causada pela pimenta, são, na verdade, uma defesa do organismo e nenhum dano físico pode ser causado por esses sintomas, afirma a nutricionista.


Por ser antioxidante, rica em flavonóides e vitamina C, a pimenta pode ainda reduzir o risco de doenças crônicas como câncer de próstata, catarata, diabetes e mal de Alzheimer. “Ela limpa o sangue, removendo substâncias tóxicas, que vêm da alimentação e da poluição.”


No caso de gastrite, a pimenta pode ser prejudicial se ingerida em grande quantidade. Ela provoca o aumento das enzimas digestivas, inclusive as ácidas, o que agravaria a gastrite, mas, segundo Daniella, nesse caso, a pimenta não é mais maléfica que o suco de laranja, refrigerante à base de cola, chips e abacaxi, alimentos que também não são aconselháveis a quem sofre de gastrite. “Se não houver exagero, não tem nenhum problema. A pimenta não causa mais acidez que esses alimentos. É claro que existem inúmeros tipos de pimenta. Se o consumidor temer a mais forte, que é a abanero, uma pimenta mexicana, ele pode optar pela pimenta-do-reino, que é a mais fraquinha”, aconselha a nutricionista.


Para as pessoas que têm hemorróidas, a ingestão do alimento também não está proibida. “A doença é a dilatação de varizes na região do ânus, causada por sedentarismo, ingestão de gorduras e problemas cardiovasculares. Portanto, a pimenta não pode causar hemorróidas, apenas agravá-la, se for um consumo excessivo.” O mesmo alerta pode ser dado aos casos de hipertensão. “Como se vê, algumas pessoas estão sendo injustas com a pimenta”, brinca.


Outros benefícios da pimenta são apontados pela nutricionista: a pimenta tem seis vezes mais vitamina C do que a laranja, um dos principais representantes desse grupo de alimentos. “Não é para comer só pimenta como fonte de vitamina C, mas, para se ter uma idéia, 28 gramas do alimento é a quantidade diária para suprir o que precisamos”, afirma Daniella.


Estômago A nutricionista explica que a pimenta tem um poder de irritar mucosas e, por isso, poderia atacar o estômago e as hemorróidas. Porém a capsaicina apresenta um poder de cicatrização, o que poderia proteger o organismo contra esses problemas. “O critério de desempate é a quantidade. Moderação é o segredo da pimenta”, alerta. Como o alimento impede a coagulação do sangue, ele pode ser também uma forma importante de evitar doenças como trombose.


Daniella destaca uma questão importante para quem gosta muito de pimenta a ponto de não controlar a quantidade ingerida. “Ela ativa receptores na língua que fazem com que a pessoa perca a sensibilidade e coma mais, sem perceber. Por mais que ela faça bem, é importante não consumir em excesso, porque, na verdade, qualquer alimento em excesso faz mal”, ressalta.


Mesmo sem consultar um médico, muitas pessoas tomam a iniciativa de reduzir ou interromper o consumo de pimenta para verificar se determinados problemas de saúde ou estéticos se amenizam. É o caso do estudante Munif Saliba Achoche, de 21 anos, que se considera viciado em pimenta, mas, há um ano e meio, reduziu o consumo por causa de espinhas. “Comia pimenta todos os dias, no almoço e no jantar. Até com pão eu comia, mas resolvi parar, assim como parei também com o chocolate, frituras, carne de porco, mesmo sem consultar um médico. Depois do tratamento dermatológico, minha pele melhorou.”


Segundo Daniella, ainda não existe nenhuma comprovação científica de que a pimenta cause ou agrave espinhas. “Espinha é causada por gordura e a pimenta tem índice baixíssimo de gordura. Casos como o dele podem ser provocados pela própria idade, por questões hormonais ou até por fatores alérgicos, mas não pela pimenta.”
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