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O guru macrô

O nome de Tomio Kikushi percorre bocas de adeptos da alimentação integral (ou natureba, para os que a desprezam) desde os anos 60. O homem que cresceu no interior do Japão e lutou na Segunda Guerra Mundial chegou em 1955, muitas batalhas depois, a esta margem do Atlântico. Veio difundir as idéias e práticas do Princípio Único, para o qual a qualidade de vida depende de um todo – a alimentação, sobretudo – e acabou virando guru de gente como Gilberto Gil ao introduzir a macrobiótica no patropi. Nesta entrevista a Bruno Albertim, conheça um pouco do mestre, que diz que o excesso de proteína animal está gerando homens afeminados e mulheres masculinizadas.

JC – Por que um dos princípios da alimentação que o senhor difunde é a mastigação lenta?

KIKUSHI – Os sucos gástricos não são suficientes para anular a toxicidade decorrente da mastigação incompleta dos alimentos, tanto os naturais quanto os processados. O que causa permanente febre intestinal. A alta temperatura interna pode desenvolver enfermidades diversas e baixar a imunidade, provocando desde simples gripes ao câncer e até a diabete. A morte precoce é muitas vezes um acidente decorrente da alienação humana sobre a alimentação.

JC – Como deve ser a alimentação vitalícia?

KIKUSHI – A alimentação básica deve se apoiar nos grãos, sementes e folhas. Neles estão as forças vitalícias da natureza. As proteínas, principalmente as animais, são apenas complementos. Se a alimentação básica é superior à complementar, um erro pode ser consertado.

JC – Então estaríamos liberados para comer carne ocasionalmente?

KIKUSHI – Com uma alimentação básica equilibrada, os riscos de toxicidade são menores.

JC – Representante maior na macrobiótica no País, o senhor chamou a atenção por uma declaração de que se pode sim comer carne.

KIKUSHI – Eu digo que, em situações onde não haja a disponibilidade tão grande de grãos e cereais, se pode sim comer carne. Como nos rigorosos invernos europeus. Mas é sempre preferível comer animais caçados ou criados organicamente do que os criados em série, para abate, que são intensamente tóxicos. É o caso das galinhas de granja, por exemplo, contaminadas por hormônios.

JC – O senhor diz que a força vital está, naturalmente, no sangue. Como mantê-lo saudável e o que o enfraquece?

KIKUSHI – O coração é sol do minissistema solar que temos dentro de todos nós. Precisamos aprender a focar a realidade com o sol cardíaco. O sangue é o combustível que o bombeia. Se for um sangue saudável, vigoroso, o organismo se movimenta naturalmente até sua extinção. Com um sangue fraco, bombardeado pelo excesso de gorduras e açúcares, ele se enfraquece e antecipa o fim de seu ciclo. Com o sangue fraco, o indivíduo perde força, se despersonaliza. O coração fraco cria espaço até para impotência sexual. A ejaculação é uma grande descarga de energia, por isso, é até perigosa para quem está com o coração fraco. O que ocorre na natureza? Vários animais morrem depois de ejacular. Se o coração está potente, o risco é eliminado. Controlar a boca é controlar a vida e o destino.

JC – O senhor diz que os alimentos são responsáveis pelo nosso humor. Eles também interferem na sexualidade?

KIKUSHI – Os alimentos interferem em tudo. Não apenas na potência sexual como na própria sexualidade. Hoje há muitos homens afeminados e muitas mulheres masculinizadas. Isso é conseqüência direta do consumo excessivo de proteínas animais.

JC – O que são as outras bocas, das quais o senhor fala?

KIKUSHI – Nos alimentamos também pela respiração, pelos movimentos, pelos ouvidos e pelo pensamento. Se não respiramos ou pensamos corretamente, também prejudicamos o metabolismo. Adoecemos.


* Fonte: Jornal do Commercio, 19/10/2008, suplemento Boa Mesa, p. 4.
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