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No lugar de ansiolíticos, folhas e peixes*


Alimentos ricos em zinco, magnésio e vitaminas do complexo B são importantes armas no combate ao estresse, que atinge, em média, 70% da população brasileira. Em vez de tomar remédios, experimente comer melhor

Bruno Albertim
balbertim@jc.com.br

Em vez de adotar um ansiolítico ou qualquer um dos remédios tarja-preta, cada vez mais freqüentes, experimente incluir mais vegetais ou pescados na dieta. E ainda diminuir sensivelmente a ingestão de gorduras saturadas e doces. Mal que atinge impressionantes 70% da população brasileira, o estresse está diretamente ligado à alimentação. A simples mudança de dieta pode diminuir ou eliminar os sintomas conhecidos, em maior ou menor intensidade, por 136 milhões de brasileiros: insônia, má digestão, taquicardia, alergias, queda de cabelo, falta ou excesso de apetite, gastrite, problemas de pele, esgotamento físico, dores de cabeça e musculares.


A lista não acaba tão rápido: sentimentos de perseguição, desconfortos, apatia, memória fraca, tiques nervosos, isolamento, irritabilidade, ansiedade e choro fácil e inesperado. Não bastasse, o estresse ainda pavimenta o organismo para a instalação de uma série de outras doenças. “Há alimentos que ajudam a desenvolver o estresse e outros que ajudam a eliminar seus efeitos no corpo”, resume o médico Durval Ribas, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, que vem dedicando estudos ao tema.


Diva de todas as horas da música brasileira, Elza Soares tem um vigor impressionante para os seus 70 e poucos anos presumidos – a cantora não confirma a idade. Diz que não veta nada em sua alimentação. Mas mantém a moderação e conhece de perto o efeito relaxante de alguns alimentos. “Além de ser leve, salada de alface à noite acalma muito. É ótimo para dormir”, diz a cantora que enfrentou uma maratona de quase um show por dia durante o Carnaval do Recife e de Olinda. Não consta que tenha ficado estressada.


“Alface tem um efeito calmante impressionante. As pessoas tomariam muito menos remédios, evitando efeitos colaterais, se soubessem disso”, confirma o médico pernambucano Celerino Carriconde, do Centro Nordestino de Medicina Popular, que há mais de duas décadas trabalha na disseminação do conhecimento sobre o efeito dos alimentos na saúde.


O primeiro passo para manter a estabilidade é a regularidade alimentar. “Primeiramente, devemos manter uma rotina nos horários de alimentação, evitando longos intervalos entre uma refeição e outra. Seguir uma dieta saudável e balanceada evita a predisposição do organismo ao estresse. Além disso, é essencial para a prevenção de contratempos como constipação, diarréia, ganho ou perda de peso”, afirma Durval Ribas. “Quem está estressado deve prestar atenção nos alimentos que consome diariamente. É importante comer somente o suficiente, sem pressa, mastigando muito bem o alimento. Também é recomendado dar preferência à ingestão de vegetais folhosos, laranja, castanha-do-pará, peixes e frutos do mar”, continua.


“O organismo sob efeito do estresse funciona de forma inadequada, consumindo desordenadamente a glicose, principal combustível do nosso corpo”, lembra a médica Valéria Goulart, também da Associação Brasileira de Nutrologia. “A falta de nutrientes resulta em estresse e o contrário também ocorre: o estresse causa carência de nutrientes”, equaciona.


ALIADOS


Conhecidas como vitaminas antiestresse, as vitaminas do complexo B são, portanto, fundamentais na prevenção e tratamento do mal contemporâneo. “O complexo B é responsável pela produção dos hormônios supra-renais e na formação de anticorpos, transformando os lipídios, carboidratos e proteínas em energia. Principalmente nos alimentos ricos em vitamina B6, há uma concentração de triptofano, aminoácido que produz a serotonina, neurotransmissor responsável pelo bom humor”, diz a médica Valéria. “A deficiência dessas vitaminas pode levar a reações de ansiedade, depressão, insônia e fraqueza muscular”, continua.


As principais fontes das vitaminas são frango, atum, banana, cereais integrais, levedo de cerveja, arroz integral, cará, batata, alho e sementes de gergelim. Adepta de alimentos integrais há pelo menos dez anos, a auxiliar de pessoal Mércia Mendes sente os efeitos no humor. “Nossa, melhorou muito. Não só o bom humor, como a disposição”, diz ela, que não come alimentos à base de carboidratos refinados.


O publicitário Antônio Carlos diz que carne bovina alterava seu humor. “Quem come carne é muito mais nervoso”, diz ele, adepto de uma alimentação naturalista também por questões ambientais. “As criações de gado produzem tantos gases nocivos quanto os automóveis”, diz ele. “A alimentação equilibrada melhora a minha serenidade”, diz a estudante Amana Pinheiro, filha do publicitário e também vegetariana convicta.


Outro componente inadiável na alimentação antiestresse é o zinco. “Uma alimentação rica em zinco diminui o risco de hemorragias, melhora a cicatrização de ferimentos, aumenta a imunidade, contribui para um bom crescimento, estimula a fertilidade de ambos os sexos e previne, finalmente, o estresse”, diz Valéria Goulart. Segundo a médica, o estresse pode diminuir a concentração de zinco no corpo. A alteração pode implicar em alterações hormonais e bioquímicas, prejudicando o sistema cardiovascular e acelerando a evolução de uma aterosclerose coronariana.


O zinco pode ser encontrado nos frutos do mar, mas está presente também nas carnes de boi, porco e de aves. É encontrado no leite, iogurte, cereais, germe de trigo, feijões, nozes, castanhas, amêndoas e ricota, entre outros. “Mas, para manter uma dieta rica em alimentos com zinco, é necessário tomar cuidado com substâncias que ‘roubam’ ou que não permitem sua plena absorção. O excesso ou carência de ferro e os fitatos, presentes em diversos vegetais, dificultam a absorção de zinco. Além do estresse, álcool, diarréia e feridas ‘roubam’ o zinco do corpo”, pondera Valéria.


O magnésio também é conhecido como o mineral antiestresse. Os alimentos mais ricos no componente são as castanhas, soja, leite, peixes, verduras, cereais integrais e pão. As castanhas-do-pará são especialmente recomendadas. “Elas são também ricas em selênio, bom para impedir o estresse e possuem triptofanos que ajudam a sintetizar a serotonina”, ressalta o médico Celerino Carricone. “O ideal é comer entre três e quatro por dia”.


Presente nas frutas cítricas, a vitamina C também faz parte do arsenal antiestresse. A dieta deve constar ainda de alimentos ricos em cálcio, como iogurte, leite e seus derivados. Também em ácido fólico (brócolis, lentilha e feijão), além de magnésio e manganês. Brócolis (mais uma vez), chicória, acelga e alface são ricos nesses nutrientes. Elza Soares está certa: alface realmente acalma.


*Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 9/3/2008
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