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Alimentação crua é receita de saúde

Livro de Victoria Boutenko revela os caminhos para seguir a dieta livre do fogão

Cinthya Leite

Comida crua é muito mais do que uma questão de paladar apurado. É um tipo de cardápio que, para ser adotado, pode envolver filosofia ou estilo de vida. Também é uma alternativa para quem deseja se livrar de hábitos alimentares pouquíssimos nutritivos. Essa mensagem está bem esmiuçada no livro 12 passos para o crudivorismo: como acabar com sua dependência da comida cozida (Editora Alaúde, 272 páginas, R$ 39,50).
Escrita pela professora Victoria Boutenko, que ministra aulas de nutrição e alimentação viva, a publicação é dividida em quatro partes e apresenta um programa para as pessoas que cobiçam seguir esse tipo de cardápio. Ao folhear as páginas, dá para perceber a posição da autora: abraçar uma dieta crudívora significa abandonar o vício frenético de comer qualquer coisa a todo instante. Um fator estimulante para essa mudança é pensar que se trata de uma alimentação capaz de atuar como coadjuvante para a melhoria da qualidade de vida.
A primeira seção da obra explica por que a comida crua ajuda o ser humano a alcançar saúde, bem-estar e até rejuvenescimento. Para dar detalhes sobre essa proposta saudável, Victoria Boutenko ressalta que o consumo de carnes e peixes cozidos abre portas para a ingestão e o processamento de toxinas. Dessa maneira, ela frisa que o cozimento destrói ingredientes importantes da dieta humana.
Como consequência, a população fica refém de alimentos industrialmente processados que podem favorecer a manifestação de doenças crônicas e degenerativas. Esse efeito é diferente quando há preferência por alimentos vivos, já que antioxidantes como o resveratrol (substância que protege o coração e é encontrada na casca das uvas escuras) promovem a prevenção de doenças e ativam os genes da longevidade humana.
Com base em pesquisas científicas, Victoria também lista uma porção de nutrientes benéficos presentes exclusivamente em frutas, nozes, folhas verdes, castanhas e sementes frescos. E para conquistar os leitores e aproximá-los da teoria, a autora conta a própria história ao compartilhar a experiência de transição da família para uma alimentação crua.
No relato pessoal, ela também descreve os ganhos que alcançou graças à dieta que dá voz ao livro. A professora garante que adquiriu mais energia. Os depoimentos ainda demonstram os benefícios que o cardápio cru trouxe aos seus filhos, que já apresentavam diabete e asma, e ao marido, que havia se submetido a cirurgias para tratar hipertireoidismo e sofria com problemas circulatórios.

A última parte da obra é dedicada a receitas e inclui hambúrguer vivo com baixo teor de gordura, rolinhos de algas, queijo de nozes, sopas e várias outras dicas baseadas no lema crudívoro.
Fonte: Jornal do Commercio, 17 de outubro de 2010, Revista JC, p. 20.
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