Magnésio, fonte de juventude* | Cura pela Natureza.com.br

Magnésio, fonte de juventude*

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Mineral presente em grãos, crustáceos e mariscos, folhas verdes e legumes exerce mais de 300 funções no organismo humano e é fundamental para o envelhecimento saudável

Cinthya Leite
cleite@jc.com.br

Grão-de-bico faz bem porque é rico em fibras e minerais, enquanto que amêndoa e avelã devem ser incluídas no cardápio porque encabeçam o rol das gorduras insaturadas, que ajudam a tirar o colesterol ruim (LDL) da circulação. E o lado bom do espinafre é a presença de ácido fólico, que pode ser uma cautela a mais em favor do bom desempenho do coração. Embora forneçam benefícios diferentes ao organismo, esses elementos têm uma característica em prol da saúde: apresentam alto teor de magnésio.

Embora pouco proclamado, esse mineral exerce mais de 300 funções no organismo humano e, por isso, é bastante necessário para as pessoas envelhecerem com qualidade de vida. “A carência de magnésio acelera o processo de envelhecimento. A diabete mal controlada, em qualquer fase da vida, acelera o desgaste dos vasos sangüíneos e dos tecidos porque há perda acentuada desse nutriente devido à insulina elevada”, diz o médico brasiliense Arnoldo Velloso, especialista em antienvelhecimento.

Autor de estudos sobre a ação do magnésio no campo da medicina ortomolecular, Arnoldo Velloso ministrou palestra no Recife, no mês passado, quando enfatizou a possibilidade de se alcançar bem-estar através do acréscimo desse mineral numa alimentação saudável. “O magnésio compete com o cálcio pelos mesmos canais de absorção. Iogurtes, que são boas fontes de cálcio, podem ser acompanhados de uma castanha-do-pará, que é rica em magnésio. Assim, há uma entrada balanceada dos dois nutrientes no organismo”, garante o médico. O magnésio ainda tem o poder de corrigir e regular outros minerais, como sódio, potássio e cálcio. É por isso que é fundamental mesclar alimentos no prato.

De acordo com o estudo do professor Giuseppe Paolisso, da Universidade de Nápoles, na Itália, o déficit de magnésio é associado às diabetes tipos 1 e 2. A pesquisa, publicada no Jornal Americano de Nutrição Clínica, mostra que a ausência desse mineral aumenta o risco de desenvolvimento da retinopatia diabética – lesões que aparecem na retina e que podem causar perda da acuidade visual.

Recado seja dado: uma boa dose de magnésio minimiza os impactos negativos deixados pelas taxas irregulares de glicose no sangue. E também ajuda a baixar a pressão arterial por dilatar as artérias, segundo o médico norte-americano Michael Roizen, conhecido pelo best seller A idade verdadeira (Ed. Campus/Elsevier, R$ 70), sobre os fatores que afetam a saúde com o passar dos anos.

“O nutriente ainda relaxa os tubos brônquicos e pode ser útil em casos de asma”, diz Roizen. No livro Você: manual do proprietário (Ed. Campus/Elsevier, R$ 70), ele assegura que uma dieta rica em magnésio pode fazer um indivíduo ficar com um organismo até um ano mais jovem.

Vale salientar que a falta de magnésio no organismo desencadeia sensações desagradáveis, como perda de apetite, náusea, vômitos, sonolência, contrações musculares súbitas, tremores e taquicardia. “A carência ainda aumenta a tensão pré-menstrual, os riscos de infarto cardíaco e de derrame cerebral, como também a morte súbita”, acrescenta Arnoldo.

O problema é que todos os sintomas apresentados pela privação desse nutriente são comuns a muitos problemas de saúde e, por isso, é difícil diagnosticar quando os sinais são frutos da ausência de alimentos ricos no mineral em foco. “A melhor maneira de consumir o magnésio é através de injeções intramusculares ou intravenosas, desde que sejam aplicadas por especialistas. Também é recomendado o consumo de água magnesiana e de suplementos de magnésio”, afirma Arnoldo.

Uma orientação médica é importante no caso de uma suplementação porque o excesso de magnésio é prejudicial à saúde. Se o consumo ultrapassa as cotas necessárias para as funções vitais, podem aparecer pressão baixa, problemas respiratórios e inibição da calcificação óssea.

Sobre as recomendações diárias de magnésio, geralmente mulheres acima dos 18 anos devem consumir 310 miligramas (mg) por dia, quantidade equivalente a aproximadamente 150 gramas de grão de soja. Já homens na mesma faixa etária precisam de 400 mg diariamente. Bebês e crianças também necessitam do mineral, mas numa proporção menor. Só para ter idéia, entre 4 e 8 anos, são necessárias 130 mg do nutriente por dia.

A recomendação é que, quanto mais cedo alimentos ricos com a substância forem acrescidos ao prato, menores são as chances de ser fazer suplementação na vida adulta e na velhice, quando começam a se proliferar gorduras maléficas no sangue.

“Se existe carência de magnésio, é provável que as taxas do colesterol ruim estejam irregulares. No momento em que as taxas desse mineral ficam normais, consegue-se restabelecer os níveis de uma forma natural e sem efeitos colaterais”, argumenta Arnoldo. Para essa normalização, contudo, é preciso que o paciente esteja ciente de que a suplementação por si só não faz efeito. Então, nada mais coerente que aderir a bons hábitos alimentares.

*Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 20/5/2007
(http://jc.uol.com.br/jornal/2007/05/20/not_232442.php)